Raptada na Índia

Mente aberta e preparada para o que der e vier, assim comecei a planear a minha viagem para a Índia. Sem saber o que me esperava, mas com uma ansiedade enorme de descobrir.
Índia o país das cores quentes, dos cheiros intensos e da confusão.
Aterrei no aeroporto de New Delhi, a capital. Onde planeei ficar por quatro noites e seguir depois para Agra.
Na Índia existe uma grande discrepância a nível de poder económico. Não existe classe média, ou são muito pobres ou extremamente ricos. Tudo é negócio para o povo indiano, e daí a minha péssima experiência neste país.



Um mundo desconhecido me esperava ao passar as portas do terminal. Famílias inteiras viviam em barracas do outro lado da estrada. O cheiro era intenso, mas não me fez confusão.
Arranjar meio de transporte até ao hotel foi uma aventura, todos os taxistas se tentavam aproveitar fazendo preços ridiculamente caros num país tão barato.
Descobri uma estação de comboios, bastante funcional, com preços típicos e de máxima segurança. O controlo era feito tal e qual ao do aeroporto, controlo de malas e policiais com metralhadoras. O que me fez sentir por um lado segura, por outro lado no que será que me estou a meter.



Finalmente no centro da cidade a próxima missão seria negociar o trajecto até ao hotel. O que acabou por ser demasiado fácil, talvez devesse ter estranhado desde esse momento.
Demos início à viagem e cerca de dez minutos depois, o motorista disse que teríamos de parar no balcão de informações da cidade, para pagar a taxa de turista.

Nunca tinha ouvido falar de taxa alguma, muito menos num balcão de informações.
Já tinha era ouvido falar em muitos esquemas engendrados para extorquir dinheiro aos turistas e como tal, recusei e insisti que me deixasse apenas no hotel, tal como tinha sido acordado antes de iniciarmos o percurso. E assim continuamos viagem, a dada altura comecei a estranhar o quão longo o caminho estava a ser.
Sendo que a estação dos comboios era no centro da cidade, o hotel onde seria suposto ficar hospedada era também no centro.
Mas a viagem já durava à demasiado tempo, seria a cidade assim tão grande? É uma capital, é um facto.
Talvez estivesse tudo bem. Pensei eu em tentativa de me acalmar.
Os dados móveis não funcionavam, só me restava esperar para saber onde iria parar.


O motorista encostou o Tuc-tuc, começou a tirar as malas e disse para entrar no suposto balcão de informações. Uma pequena porta, com umas escadas para baixo e outras para cima. À minha volta só via pequenas barracas, não havia trânsito ou vendedores por toda a parte. Algo não estava bem e agora tinha a certeza disso.
Tentei que me levasse ao hotel, mas em vez disso apareceu outro senhor também a direccionar-me para dentro e insistiu que levasse as malas comigo. Teria de entrar para pagar a taxa e depois podia seguir caminho.


Confesso que já estava bastante assustada, pois não me deixavam ir embora de maneira nenhuma.
Achei que não me queriam fazer mal, apenas queriam dinheiro.
Mas a verdade é que eu não fazia a mínima ideia qual seria a minha localização, ou mesmo quais as intenções deles.
Estava incontactável, perdida e as únicas pessoas que avistava eram as que tinha a certeza que não procuravam ajudar-me de maneira alguma.

Vencida pela exaustão, acabei por entrar, levaram-me para uma sala onde estava um senhor sentado em frente ao computador. Pedi acesso à Internet, mas foi me negado. Pelas palavras dele, não era permitido partilha de Internet na Índia. Percebi que queriam apenas extorquir-me dinheiro e desistir não fazia parte do planos deles.
Pus as malas às costas e comecei a andar. Já na rua avistei um Tuc-Tuc, que se foi aproximando de mim. Questionou-me o porquê de estar naquela zona da cidade, já que ali não era sítio para turistas.


Acredito que tenha sido a minha sorte, pois só nesse momento os outros senhores desistiram de vir atrás de mim. O motorista foi embora e os restantes voltaram para dentro.
Expliquei a situação ao senhor que me abordou, descobri de imediato que ali não era balcão de informação nenhum e que estava muito longe do centro.
Ofereceu-se para me levar ao verdadeiro balcão de informações, mas pedi-lhe antes que me deixasse no hotel, depois de tudo, só queria descansar de tanta loucura.

Mas mal eu sabia que a aventura estaria apenas a começar. O meu desespero começou quando disse o nome do meu hotel ao motorista e este me diz que muito provavelmente estaria encerrado, tal como tantos outros, devido a manifestações resultantes das eleições.

Estaria a ser enganada novamente? Seria outro esquema? O que se está a passar?
Não estaria eu pronta para viajar para a Índia ou estaria apenas com muito pouca sorte?


Queria tentar contactar o hotel, mas precisava de Internet. Aceitei então ir até ao balcão de informações, oficial desta vez.
Se era realmente, não sei dizer. Mas consegui aceder à Internet, avisar a minha família da minha última localização e explicar brevemente a situação caso não os contactasse brevemente.

Acabei por ficar sem bateria para aumentar o drama.
Confirmaram-me o que já me tinha sido dito, o hotel que reservei estava mesmo fechado, tal como a maioria deles. Entraram em contacto com o suposto proprietário que comprovou a história, pelo que me iam dizendo.
Já não sabia o que pensar, naquele momento estava pronta a voltar para o aeroporto e sair daquele país.

Passaram-se horas desde a minha chegada, não comia desde que levantei voo e já não dormia à 24h.
Todas as soluções que eu dava aos funcionários do “balcão de informações” eram impossíveis ou assim me foi dito. Ligaram para vários hotéis, mas nenhum tinha quartos livres.
Pensei em seguir viagem para Agra, que seria o meu próximo destino, antecipar a minha chegada ao hotel e regressar a New Delhi mais tarde. Mas não tinham disponibilidade também.
A empresa que vendia os bilhetes de autocarro para Agra, não tinha lugares vagos. As carrinhas que eu tinha planeado fazer esse trajecto tendo em conta experiências de outros viajantes, também não existiam, nunca tinham ouvido falar.
A dada altura comecei a ponderar se estariam realmente a falar com os hotéis, com as empresas ou se seria tudo um esquema para eu aceitar as ofertas deles.

Já exausta, pedi que me deixassem usar o computador para comprar um bilhete de avião para essa noite. Nesse momento, eles já tinham solução para mim.
Providenciavam um carro, com motorista até Agra, alojamento e pequeno-almoço num hotel incrível e um guia para a visita ao Taj-Mahal, tudo por um preço extraordinário nunca antes visto.

Horas mais tarde, percebi que tentaram ajudar-me, ajudando-se a eles. Que por mais que eu tentasse, nunca me iriam ajudar honestamente. Ou eu pagava ou acabava a dormir na rua, já que estava prestes a anoitecer.
Acabei por desistir e aceitar a “oferta” deles.


Entrei num carro de um completo estranho, do outro lado do mundo, sem telemóvel. Sem saber o que me esperava, para onde estava a ir ou sequer onde iria chegar.
Os olhos pesavam cada vez mais, mas não podia adormecer.
O que iria acontecer se eu não estivesse alerta?

Verificando as poucas placas existentes na estrada, parecia que seria o caminho certo. Pelo menos reconhecia os nomes que tinha visto nas pesquisas que anteriormente tinha feito.
Paramos subitamente, perguntei o que se passava mas não obtive resposta. Estava escuro, o motorista saiu do carro e entrou na floresta.
O meu coração batia a mil e estava extremamente assustada. Pensei realmente que esta minha aventura iria ter fim naquele momento.

Ele voltou, questionei-o novamente, sem conseguir disfarçar o nervosismo. Aparentemente foi pagar as portagens.
Procedimento normal, passam naquela estrada, encostam e no meio do nada está alguém para receber.
Já não aguentava mais sustos, o meu corpo já nem tinha energia suficiente para tolerar mais adrenalina.
Cheguei finalmente a Agra, mas deixo este episódio para uma outra altura.


De volta a New Delhi e de regresso ao aeroporto apesar de faltarem 42h para o meu voo.
A ideia seria conseguir dormir nos quartos do aeroporto, mas não passou de uma ideia.

Não podia entrar no aeroporto a não ser que o meu voo partisse no máximo dentro de 6h.
Nem hotel, restaurantes ou sequer casa de banho estavam disponíveis. Ao fim de muitas tentativas, um dos funcionários teve pena da minha história e deu-me acesso a uma pequena área onde tinha cadeiras, mas que para entrar teria mesmo de esperar até faltar as 6h.
A casa de banho e restaurantes eram no andar de baixo e não tinha autorização para entrar no elevador, controlado por um polícia com metralhadora, com um ar de poucos amigos.


Ao fim de umas longas horas, houve mudança de turno e aproveitei para descer o elevador. Finalmente pude saciar o meu estômago com comida duvidosa. Rodeada de malas e com uma cama improvisada no chão, assim passei as restantes horas.
Finalmente a 6h do meu voo, passo pela tão desejada porta. Como já estava saturada da comida que era vendida no andar de baixo, resolvi esperar para comer algo diferente do outro lado. Para minha surpresa não havia comida à venda nessa parte do aeroporto.

Mais umas horas a passar fome era o que me esperava, já que depois de passar a porta não podia voltar atrás.
O que não fazia sentido pois ainda não tinha passado a segurança. Mas a politica deles, era quase como níveis de um jogo, passas um nível e já não podes regressar ao anterior.

Apesar de ser um país sujo, foi o aeroporto mais limpo onde já estive. Num espaço de 3h, tive de me levantar duas vezes de um banco para os funcionários da limpeza limparem.
Nunca fiquei tão feliz por levantar voo como nesta aventura.
Tentei sempre manter-me positiva sem pensar o quão desastrosa toda esta viagem tinha sido.

Ainda assim, não voltei para casa com a ideia de que a população deste país é mal intencionada ou tão pouco que são más pessoas. Apenas olham para nós, turistas, como uma fonte de lucro. Como pessoas com vidas e posses melhores, que nada perdem em partilhar com eles.
Apesar de todos os contratempos, não risquei Índia dos meus roteiros e penso regressar muito em breve.
E vocês, já tiveram imprevistos nas vossas viagens? Partilhem comigo as vossas aventuras 🙂


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