Mas que turbulência é esta? Vamos cair?

Portuguesa habituada a climas amenos, a frio suportável e ocasionalmente alguma chuva. Era fácil ficar surpreendida com tempestades tropicais, mas esta não era uma tempestade qualquer.
Era o último dia na Malásia, acordei com uns raios de sol, que se infiltravam pela janela do quarto. Estava tanto calor, quanto os restantes dias que tive o prazer de experienciar neste país.

Não havia indícios que algo diferente iria acontecer quando estava apenas a umas horas de levantar voo.
Vi o primeiro clarão, seguido de um estrondo enorme. Uma luz admirável e um som assustador, custava a acreditar que aquele momento incrível da natureza, seriam apenas relâmpagos e trovões.
Num instante se juntou uma multidão. Alguns com receio, mas a maioria a contemplar aquele acontecimento extraordinário e intimidante.

Ainda que quisesse admirar as obras da mãe natureza, não conseguis abstrair-me da ideia de estar prestes a entrar num avião e sobrevoar a maior tempestade que alguma vez presenciei.
Com o passar das horas e já no aeroporto, não conseguia esconder o nervosismo. Mantinha a esperança de que o voo fosse cancelado, como já tinha acontecido com alguns destinos.
Estava de partida para as Filipinas, um destino de sonho e a ponderar ficar em terra. O voo sofreu um atraso, mas ainda iríamos aterrar em terras Filipinas no mesmo dia.
“O pior da tempestade já passou”, “Não se preocupem que assim que sairmos da Malásia terão um voo calmo”. Foi mais que suficiente para tranquilizar os corações apertados que ali estavam, mas não era bem assim.

Sentados e prontos a descolar, foi nos dado o aviso de que o sinal de cinto de segurança iria ficar ligado mais tempo do que o habitual. Até sairmos da zona da tempestade, pensamos nós.
Levantamos voo, correu tudo bem. Muita turbulência, mas já se esperava. Já estávamos a voar há cerca de quarenta minutos, e o sinal do cinto de segurança continuava ligado, ainda não tinha visto hospedeiras.     
Voltando atrás, se soubesse que seria o pior voo da minha vida, provavelmente teria escolhido não embarcar.

O avião tombou num ápice, quase que como um elevador que desceu demasiado rápido, dando a sensação de estarmos a cair no vácuo. Baixava e voltava a subir, em questões de segundos, os segundos mais longos da minha vida.
O cinto de segurança não parecia suficiente para que nos mantivéssemos imóveis. Havia objectos a saltar, o medo dos passageiros pairava no ar.

Mas que turbulência é esta? Vamos cair?
Os pensamentos eram poucos, as mãos suadas, as palpitações e sentimento de impotência numa situação de zero controlo falavam por si.
Estaremos quase? Quanto tempo passou?

Começamos a descer. Alívio, acho que foi o sentimento que percorreu toda aquele cabine. Aquele tormento ia ter fim, achamos nós, erradamente uma vez mais.
Estávamos a sobrevoar extremamente baixo, perto do mar, demasiado perto do mar.
Mas onde está o aeroporto?
Sentimos as rodas a saírem, em preparação para aterragem. Mas ainda não havia aeroporto, sabíamos que algo de errado se passava.

Aterrámos.
O pesadelo acabou, saímos do avião e não havia nada à nossa volta. Rodeados de florestação, não havia estrada, nem pista, apenas terra.
O avião aterrou numa pista de terra? No meio do nada?
O hotel tinha mandado alguém para me ir buscar ao aeroporto, mas não havia ninguém. Apenas dois autocarros, para onde fomos direccionados.
Talvez fosse um aeroporto secundário, faria sentido?

Já no autocarro, ao fim de quase uma hora, finalmente cheguei ao aeroporto, onde era suposto termos aterrado.
Nunca tive qualquer tipo de informação do que aconteceu realmente, nem durante, nem depois do voo.
Sei que fiz uma aterragem de emergência, no meio do nada. Sã e salva à espera da próxima aventura 🙂

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