Fez, a antiga Medina marroquina

A Medina de Fez, classificada património Mundial pela UNESCO. Atrai centenas de visitantes que procuram os encantos da caótica Fez antiga.
Uma cidade em forma de labirinto, onde não circulam carros, onde se usam burros de carga, e as mulheres ainda pouco valor têm.
Visitar Fez é recuar centenas de anos no tempo.
É esperar ser enganado desde o momento em que põe o pé na rua até ao momento do tentar tirar. Visitar Fez é estar preparado para o imprevisto, para os cheiros fortes, para o stress e confusão. A meio do dia já vai estar saturado de ser perseguido por vendedores, supostos guias ou simplesmente de estar perdido à demasiado tempo dentro de um labirinto onde os mapas são feitos para não funcionar.

Uma das cidades imperiais de Marrocos, sendo a segunda maior do país e já foi capital diversas vezes. Palco da universidade mais antiga do mundo ainda em funcionamento.
Fez está dividida em três zonas principais, que nada se assemelham umas às outras.

Ville Nouvelle – A zona mais recente da cidade e com mais riqueza.
Fez el Jdid (Fez a nova), construída séculos mais tarde, onde se pode encontrar o palácio real.
Fez el Bali ( Fez a velha), a Medina antiga.

Na minha viagem por Marrocos, como viajante individual, Fez, foi a cidade que mais me desafiou em todos os sentidos. Muito em parte por ser mulher, apesar de vivermos num mundo tão moderno. Esta cidade vive os costumes antigos.
Não digo que me quiseram trocar por camelos, mas recebi das propostas e piropos mais descabidos que possam imaginar.
Aderi aos costumes árabes em tentativa de passar despercebida para ter um pouco de paz na minha visita à cidade, havia vezes que estava tapada dos pés à cabeça, apenas com a face descoberta. Mas os marroquinos sabiam sempre que eu não pertencia ali, por mais que eu disfarça-se.

Como chegar?

Fez é uma cidade relativamente perto de Portugal, existem voos diretos de Lisboa. No meu caso, que adoro explorar as opções mais baratas. Apanhei um autocarro até Sevilha e daí apanhei um avião até Fez. O voo ficou-me por 20€ ida e volta e o autocarro por 9.99€.
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Do aeroporto à Medina de Fez

Táxi – Em Marrocos os táxis tem duas categorias. “Grand taxis”, que fazem as distâncias mais longas, como por exemplo do aeroporto até à cidade e os “Pettit taxis”, mais pequenos, como o nome indica e que fazem os percusos mais curtos e dentro da cidade.
O percurso do aeroporto para a cidade custa 150 Dirham.

Autocarro – A opção mais económica, um bilhete custa apenas 4 Dirham e a viagem tem a duração de 45 minutos.

Moeda local
A moeda local é o Dirham Marroquino (MAD), 1€ = 10 MAD

Trocar Euros para Dirham ou levantar no ATM?

Fora da Medina existem dois ATM, um deles situado no exterior de um banco. Não vi casas de cambio, mas certamente existem. Após pesquisa, achei mais benéfico levantar diretamente no ATM, com o cartão Revolut.
Experimentei com o meu cartão bancário e depois com o meu cartão Revolut para ver a diferença das taxas e fiquei bastante surpreendida.
O revolut cobrou-me uma taxa pouco mais de 2€, quando o meu banco me cobrou quase 10€ por um levantamento do mesmo montante.
Pagamentos de multibanco, tinha a opção de escolher pagar diretamente na moeda local sem necessidade de conversão, ou seja sem taxas.
Este cartão tem sido um salva-vidas, mas especialmente por Marrocos posso dizer que os benefícios foram mais que muitos.
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Onde ficar?

Eu escolhi a verdadeira experiência marroquina, ficar hospedada num Riad.
– Riad Fes Bab Rcif , antigo palácio, recuperado e renovado. Localização óptima à entrada da medina. A comida, deliciosa, desde o pequeno-almoço ao jantar. Boas-vindas com chá e bolinhos típicos marroquinos. O staff era absolutamente incrível, super prestáveis. Melhoraram bastante a minha estadia nesta cidade.

Outras opções:

– Dar Dalila
– Riad le calife
– Riad Andalibe
– Riad Maison bleue and spa

A acomodação é um fator extremamente importante a ter em conta ao marcar esta viagem. Fez não é a cidade mais segura de Marrocos e ficar bem localizado é fulcral.
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Como fiz para visitar a Medina?

Já tinha planeado fazer uma Tour com um guia local, que seria no meu segundo dia. Mas como cheguei à cidade cedo, ainda tinha metade do dia. Resolvi aventurar-me e desbravar a Medina por mim mesma.
Assim que passei a porta senti-me uma pessoa bastante rude e mal-educada, mas tinha de ser. Falavam comigo e eu simplesmente ignorava, fingia não ouvir e seguia o meu caminho. Acatei a cem por cento os conselhos que recebi pela parte do meu amigo Mustafá, trabalhador do Riad.
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Pesquisei bastante durante o planeamento da minha viagem e já ia preparada para o que ia encontrar, ou achava eu. A verdade é que achei que muitos dos relatos que li seriam um exagero feito por pessoas pouco experientes, nada preparadas para este tipo de viagem. Mas tornou-se um pouco mais real vindo da boca de um local, que nada tinha a ganhar em dar-me todos aqueles conselhos. Mas como ficou tão perplexo pela minha coragem de percorrer cidades marroquinas sozinha, acho que me quis preparar para a realidade que me esperava. E ainda bem que o fez, pois ajudou-me bastante.
Não fui enganada nenhuma vez, perdi-me uma. Negociei com vários vendedores, conversas o mais simples e rápidas possível.
– quanto custa,
– quanto aceito dar
– sim, compro
– não, adeus.
É difícil ter uma conversa curta e concisa com o povo marroquino.

Deparei-me com três ruas, esquerda, frente e direita. E assim dei de caras com o início do labirinto. Sabia que me ia perder se me aventurasse demasiado, então tinha de arranjar algum tipo de sistema que me ajudasse.
Não podia contar com mapas, os do telemóvel não funcionavam, perdiam-se nas primeiras ruas. Os de papel eram difíceis de perceber.
Dizem que muitas das lojas são iguais, para ajudar os turistas a perder-se. É complicado manter algo como referência.
Então resolvi, virar à esquerda e seguir sempre em frente, ver tudo até chegar à primeira viragem, ai era hora de voltar para o ponto de partida. E assim fiz para o caminho da frente e da direita também. Correu bem, adorei todas aquelas ruelas, cheias de cores e cheiros intensos. Voltei para o Riad com a sensação de vitória.
Medina – 0 | Jesse – 1

No dia seguinte teria o guia para as verdadeiras apresentações à Medina. E que experiência diferente, nem uma única pessoa se meteu comigo. Alguns aproximavam-se do guia só para lhe dizer que sorte tinha ele naquele dia, e faziam questão de o dizer em algo semelhante ao inglês para que eu percebesse. Mas muito respeitosos, nada como o que tinha experienciado no dia anterior.
Assim que percebi que estava protegida dos embustes alheios, o meu comportamento mudou completamente. Tive a oportunidade de falar com os locais, aprender algumas palavras, conceitos. Ter experiências que nunca teria tido sozinha. Tive um dia incrível e pela primeira vez senti-me próxima do povo marroquino.
O que foi muito gratificante, mas que acabou por ser negativo. No dia seguinte senti-me bastante confiante, precisava de comprar um cartão para o telemóvel e sabia exatamente onde era a loja. Fui lá ter sem problemas, sabia que caminho devia seguir, onde virar, virar de volta e virar para trás. Parecia simples, até o vendedor me explicar que a internet tinha de ser comprada à parte, era vendida nas tabacarias.

Não estava preparada para esse caminho, pois como não fumante, até achei piada às bancas que vendiam tabaco, mas não o suficiente para memorizar a localização de uma.
O rapaz da loja dos cartões explicou-me o caminho que devia seguir. Acabei a perguntar a um vendedor onde era a tabacaria, e que erro este, mas não havia mais nada a fazer. Nem cinco segundos passaram e já estava um rapaz ao meu lado para me ajudar a mando desse vendedor.
Ele não fazia a mínima ideia do que eu queria, o que eu precisava, onde tinha de ir, no entanto podia ajudar-me, bastava segui-lo. Eles só não estavam à espera que eu soubesse exatamente como funcionavam os truques deles.

Acho que o truque é ser persuasivo, sério e confiante. Acabaram por perceber que eu não iria a lado nenhum com quem quer que fosse e que sabia como lidar com eles, riram-se e explicaram-me onde era a tabacaria. Virei costas e segui sozinha.
Consegui comprar o cartão da internet, a missão foi cumprida.
Mas infelizmente ao juntar esse percurso, baralhou o meu percurso inicial e acabei perdida no meio da Medina.
Andei às voltas, radiante, como se soubesse exatamente onde estava durante cerca de uma hora e meia. Confesso que cheguei a um ponto onde já estava a ficar bastante desesperada. Quando o telemóvel já não tinha bateria, nem o power bank, quando a rede dentro da Medina era péssima o que não me deixava sequer enviar uma sms de SOS a alguém do Riad. Gastei os últimos 5% de bateria no maps a tentar descobrir onde estava, falhei redondamente, como seria de esperar.

Andei tanto, para trás e para a frente. Havia pessoas a dizer estás a ir pelo caminho errado, vira à esquerda, a chamarem-me e as lojas começaram a fechar.
Naquele momento a Medina tinha dado cabo de mim e eu não sabia como dar a volta à situação.
Medina – 10 | Jesse – 1

Reconheci uns sapatos, que sabia estarem perto de um local onde já tinha comido. Era a luz ao fundo do túnel, mas era o túnel errado.
Os sapatos, a exposição deles era exatamente a mesma que o sítio que eu me recordava. Mas com isso apercebi-me que tinha mais pontos de referência do que me lembrava conscientemente.
Comecei a andar mais rápido, em busca de algo que saltasse à vista, que despertasse a minha memória.
E encontrei de novo os sapatos, os certos desta vez. E dali o caminho parecia a palma da minha mão. Que sensação de alívio tive, só queria chegar ao meu quarto, tomar um banho quente e descansar de toda a loucura extenuante.

Medina – 10 | Jesse – 100, ganhei sem sombras de dúvidas.

Dicas:

– Não olhar para os vendedores, se o fizer eles não vão desistir de ir atrás de si.
– Não responder a quem quer que fosse, só iria demonstrar interesse e não que está a ser politicamente correto.
– Não pedir ajuda, assim demonstra fraqueza, alguém se irá aproveitar rapidamente.
– Se disserem para ir para a direita, vire à esquerda.
– Eles vão tentar baralhar-te e ajudar-te a perderes-te para que depois te possam “ajudar”.
– Tudo funciona a dinheiro, e ainda que não peça, se alguém ajudar com o mínimo que seja, espera receber dinheiro.
– Em caso algum, esteja na rua ao anoitecer. As lojas dentro da Medina fecham ao final da tarde. Quando começam a fechar, é hora de regressar. Nada de bom acontece depois disso.
– Respeitar os costumes do vestuário árabe.
– Andar com o mínimo indispensável, evitar mochilas.
– Cuidado com a comida de rua, ainda que económica, as intoxicações alimentares são frequentes.
– Usar o cartão Revolut

Adorei a cidade de Fez, desafiou-me pessoalmente e como viajante, preparou-me para tantas outras viagens que hei de fazer por este mundo fora. Não achei a cidade de todo segura, há pessoas muito mal intencionadas, há muitos assaltos e tudo é motivo para se aproveitarem dos turistas. Aconselho a reservarem um bom alojamento e um guia para conhecer livremente a cidade, certamente vão adorar e não vão ter problemas.


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